sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quando estava na cidade tinha por mania pegar os ônibus que demoravam mais tempo pra chegar ao destino. Gostava mesmo era de ir curtindo a paisagem do percurso. Fosse feia ou bonita, qualquer paisagem externa lhe interessava. Os mínimos detalhes prendiam sua atenção, distraindo da dor, fazendo o tempo correr macio. Quando o ônibus se demorava nalgum ponto, ela detinha o olhar nas pessoas que esperavam no ponto. Procurava enxergar em cada rosto traços do seu próprio sofrimento, da sua ansiedade...Ela via a cruz invisível que cada um carrega nos ombros e, de saber que todo mundo trazia uma cruz, já não se sentia tão diferente. O ônibus lhe trazia a impressão do transitório...e cada rosto sofrido lhe trazia a sensação de unidade. Já não estava só, já não era a única que sofria. Então pra quê gemer? Então sorria. Timidamente sorria.

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